IR da renda fixa

IR da renda fixa: o que é, como funciona e como pagar menos imposto

Entenda o IR da renda fixa, veja exemplos práticos e aprenda a escolher os melhores investimentos para manter mais lucro no seu bolso.

Investir em renda fixa é uma das escolhas mais comuns para quem busca segurança e previsibilidade. Mas, apesar da fama de investimento “simples”, existe um fator que muitos investidores iniciantes ignoram: a tributação.

Grande parte dos produtos de renda fixa está sujeita à cobrança do Imposto de Renda (IR), o que pode impactar diretamente seus ganhos líquidos. Ou seja, aquela rentabilidade que parece atrativa no momento da aplicação pode acabar rendendo menos do que você esperava — simplesmente porque o IR “comeu” uma fatia dos lucros.

E mais: além do IR, há também o IOF, outro imposto que pode incidir nos primeiros dias da aplicação, especialmente em resgates antecipados. Por isso, entender como funciona o IR da renda fixa é fundamental para fazer escolhas mais inteligentes, evitar surpresas e aproveitar ao máximo o potencial dos seus investimentos.

Neste artigo, vamos explicar de forma simples e direta como o imposto funciona nos principais títulos de renda fixa, quando ele é cobrado, quais investimentos são isentos e como você pode minimizar sua carga tributária sem sair da legalidade.

💡 Spoiler: às vezes, um investimento com menor rentabilidade bruta pode render mais no fim das contas — justamente por causa do IR.

 

O que é o IR da renda fixa e como ele funciona

O Imposto de Renda (IR) sobre investimentos em renda fixa incide apenas sobre o lucro que você obtém com a aplicação, e não sobre o valor total investido. Ou seja, se você aplicou R$ 5.000 e resgatou R$ 5.500, o IR será calculado somente sobre os R$ 500 de rendimento.

Esse imposto não é cobrado no momento da aplicação, mas sim no momento do resgate ou vencimento do título — o que o torna um ponto importante de atenção para quem está montando a carteira de investimentos. E o melhor: a cobrança é automática, feita pela própria instituição financeira ou corretora, então você não precisa gerar nenhum boleto ou pagar DARF.

Na prática, o IR da renda fixa segue a chamada tabela regressiva, o que significa que quanto mais tempo você mantiver o dinheiro investido, menor será a alíquota de imposto. Isso incentiva o investidor a pensar no médio e longo prazo.

Mas atenção: nem todos os investimentos de renda fixa são tributados. Há produtos específicos que oferecem isenção de IR para pessoas físicas, como veremos mais adiante. Ainda assim, para a maioria dos títulos — como CDB, Tesouro Direto (exceto pouquíssimas exceções), LC, entre outros — a tributação é inevitável.

🔎 Entender essas regras é essencial para comparar opções de forma justa e tomar decisões mais conscientes. Afinal, o que importa mesmo é o rendimento líquido, e não apenas o número bonito que aparece na promessa de rentabilidade.

 

Tabela regressiva: entenda as alíquotas do IR

A tributação sobre os rendimentos da renda fixa segue uma tabela regressiva de Imposto de Renda. Isso significa que, quanto mais tempo você mantiver o investimento aplicado, menor será o imposto a pagar. É uma forma do governo incentivar o investimento de longo prazo — e também uma oportunidade para o investidor estratégico economizar com o leão. 🦁

Confira a tabela de alíquotas aplicável aos principais títulos de renda fixa:

Prazo do investimento Alíquota do IR
Até 180 dias 22,5%
De 181 a 360 dias 20%
De 361 a 720 dias 17,5%
Acima de 720 dias 15%

📌 Importante: essa alíquota é aplicada somente sobre o rendimento, nunca sobre o valor total aplicado.

Vamos a um exemplo simples:

  • Você investiu R$ 10.000 em um CDB e, após 2 anos (acima de 720 dias), teve um rendimento de R$ 2.000.
  • Como passou do prazo mais longo, a alíquota será de 15%.
  • Isso significa que o IR será de R$ 300 (15% de R$ 2.000), e você receberá R$ 11.700 líquidos.

O detalhe é que, para muitos investidores, essa diferença de alíquotas pode representar centenas ou até milhares de reais ao longo do tempo — especialmente em valores maiores ou portfólios diversificados.

💡 Dica: se você pensa em resgatar seu investimento antes de completar 6 meses, talvez valha reconsiderar — os 22,5% podem corroer boa parte dos lucros.

 

IOF: outro imposto que pode pegar você de surpresa

Além do IR da renda fixa, existe outro imposto que pode impactar seus rendimentos: o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Ele costuma ser menos comentado, mas pode pegar muitos investidores de surpresa — especialmente quem precisa resgatar o dinheiro logo após aplicar.

O IOF só é cobrado nos resgates feitos em até 30 dias após a aplicação. A boa notícia é que, depois desse prazo, o imposto desaparece totalmente. Mas se você resgatar antes disso, o governo vai descontar uma fatia do seu lucro, com uma alíquota que começa em 96% no primeiro dia e vai diminuindo até zerar no 30º dia.

Veja a lógica da tabela regressiva do IOF:

Dias aplicados Alíquota de IOF sobre o rendimento
1 96%
5 83%
10 66%
15 50%
20 33%
25 16%
30 ou mais 0%

 

🔎 Exemplo prático:

  • Você aplicou R$ 5.000 em um CDB e obteve R$ 100 de rendimento em 10 dias.
  • A alíquota de IOF será de 66%, ou seja, R$ 66 serão descontados.
  • O rendimento líquido será de apenas R$ 34 — isso sem contar o IR, que ainda pode incidir!

Por isso, investimentos de curtíssimo prazo exigem atenção redobrada. Se existe a chance de precisar do dinheiro antes de 30 dias, talvez seja melhor buscar alternativas com liquidez imediata e sem IOF, como a conta remunerada de algumas fintechs.

💡 Resumo: o IOF é temporário, mas pode ter um impacto grande se você resgatar cedo demais.

Investimentos de renda fixa isentos de IR

Nem todos os investimentos de renda fixa sofrem a incidência do Imposto de Renda. Existem opções que são isentas de IR para pessoas físicas, o que significa que todo o rendimento bruto será também o rendimento líquido. Isso pode fazer uma diferença considerável no seu retorno final — principalmente no longo prazo. 📈

Veja os principais títulos isentos de IR:

📌 LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e LCA (Letra de Crédito do Agronegócio)

São emitidas por instituições financeiras para financiar os setores imobiliário e agrícola. Como incentivo ao desenvolvimento desses setores, o governo dispensa o investidor pessoa física de pagar IR sobre os rendimentos. Essas aplicações ainda contam com proteção do FGC, o que as torna bastante atrativas.

📌 CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários) e CRA (do Agronegócio)

São emitidos por securitizadoras e também têm isenção de IR. Contudo, não possuem cobertura do FGC, e o risco de crédito é mais alto — pois depende do pagamento dos devedores finais dos recebíveis.

📌 Debêntures incentivadas

Emitidas por empresas para financiar projetos de infraestrutura, essas debêntures também têm isenção de IR para pessoas físicas. A contrapartida é o risco de crédito da empresa emissora, já que não há FGC nesse tipo de investimento.

Essas alternativas podem render mais do que títulos tributáveis, mesmo que a taxa oferecida seja menor. Isso porque, sem a mordida do IR, o rendimento líquido tende a ser mais competitivo.

💡 Dica de ouro: ao comparar investimentos, nunca olhe apenas a rentabilidade bruta. Considere sempre se há ou não incidência de IR.

Comparativo: com ou sem IR, o que vale mais a pena?

Uma dúvida comum entre investidores é: vale mais a pena aplicar em um investimento com rentabilidade maior, mas com IR, ou em outro isento, mesmo com rendimento bruto menor? A resposta depende do prazo, da alíquota e da diferença de rentabilidade. Mas vamos simplificar com um exemplo prático:

Investimento 

Rentabilidade bruta anual 

IR (após 2 anos) 

Rentabilidade líquida 

CDB (tributado) 

11,0% 

15% 

9,35% 

LCI (isenta) 

9,8% 

0% 

9,8% 

Nesse cenário, mesmo com uma rentabilidade bruta menor, a LCI leva vantagem no resultado líquido final. Isso acontece porque os 15% de IR cobrados no CDB (após 2 anos) reduzem bastante o rendimento real.

Agora veja um exemplo em que o título tributado pode ser mais vantajoso:

Investimento 

Rentabilidade bruta anual 

IR (após 2 anos) 

Rentabilidade líquida 

CDB (tributado) 

13,5% 

15% 

11,48% 

LCI (isenta) 

10,5% 

0% 

10,5% 

💡 Ou seja, tudo depende da taxa oferecida e do prazo de aplicação. Por isso, é fundamental fazer essa comparação antes de investir. Felizmente, muitas corretoras já disponibilizam o cálculo automático da rentabilidade líquida — mas, se não for o caso, você pode usar simuladores online confiáveis.

Resumo: não existe resposta única. O melhor investimento é aquele que oferece a maior rentabilidade líquida dentro do seu perfil de risco.

Dicas para pagar menos IR na renda fixa (legalmente!)

Sim, é possível reduzir o impacto do IR da renda fixa com estratégias simples, legais e acessíveis para qualquer investidor. Aqui vão algumas dicas práticas para otimizar sua rentabilidade líquida e deixar menos dinheiro na mão do leão:

1️⃣ Invista por mais tempo

Como vimos, a tabela do IR é regressiva. Se você manter a aplicação por mais de 720 dias, a alíquota cai para 15% — o menor patamar possível. Então, sempre que possível, prefira prazos mais longos (desde que estejam alinhados aos seus objetivos financeiros).

2️⃣ Aproveite os investimentos isentos

LCIs, LCAs, CRIs, CRAs e debêntures incentivadas são isentos de IR para pessoas físicas. Se a rentabilidade for próxima à de um título tributável, eles podem sair na frente no resultado final.

3️⃣ Reinvista com inteligência

Evite resgatar aplicações antes do vencimento, principalmente nos primeiros 6 meses, para fugir da alíquota mais alta (22,5%). E ao reinvestir, planeje os vencimentos de acordo com suas metas e prazos — isso ajuda a aproveitar alíquotas mais baixas.

4️⃣ Compare sempre o rendimento líquido

Na hora de investir, não caia na tentação de olhar apenas a taxa “bonita”. Faça a conta da rentabilidade líquida, considerando IR, IOF (se for o caso) e taxas da corretora.

📌 Essas estratégias não exigem manobras complicadas — apenas planejamento. Com elas, você pode aumentar significativamente sua rentabilidade sem precisar correr mais riscos.

Investir em renda fixa é, sem dúvida, uma das formas mais seguras e previsíveis de fazer o dinheiro render. Mas, como vimos ao longo deste artigo, entender a tributação é fundamental para tomar decisões realmente vantajosas.

O IR da renda fixa pode parecer um detalhe técnico, mas ele afeta diretamente o que realmente importa: o quanto você vai colocar no bolso. Além disso, o IOF pode morder boa parte dos rendimentos em resgates muito curtos — outro ponto que não dá para ignorar.

Por outro lado, existem investimentos isentos de IR que podem fazer mais sentido em algumas situações. A chave está em comparar com atenção, analisar o prazo, a rentabilidade líquida e o seu objetivo financeiro.

A boa notícia? Com um pouco de conhecimento e planejamento, você consegue pagar menos imposto, maximizar os lucros e investir com mais inteligência — tudo dentro da lei e com tranquilidade.

Se você quer continuar aprendendo sobre finanças e tomando decisões melhores para o seu dinheiro, acompanhe os conteúdos do blog da Faz Capital. E lembre-se: rentabilidade boa é rentabilidade líquida. 😉

 

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O que são?

Um fundo de investimento é uma aplicação financeira que reúne recursos de diversos investidores, com o objetivo de investir esse capital em um conjunto diversificado de ativos financeiros. Esses ativos podem incluir ações, títulos de dívida, imóveis, moedas estrangeiras, entre outros.

A administração e a gestão do fundo são feitas por um gestor profissional, que toma decisões de investimento visando maximizar os rendimentos e minimizar os riscos para os participantes.

Por que investir?

01. Gestor profissional
Contratação dos serviços de um gestor profissional para rentabilizar investimentos.

02. Baixo custo de operação
Baixo custo de operação de investimentos.

03. Estratégias avançadas
Acesso a uma infinidade de estratégias.

Pra quem?

Por englobarem todas as possibilidades de estratégias do mercado financeiro, são indicados para todos os tipos de investidores.

O que varia serão os perfis de risco dos fundos que comporão a carteira conforme as necessidades, expectativas e possibilidades de cada investidor.

O que é?

O Tesouro Direto é um Programa do Tesouro Nacional desenvolvido em parceria com a B3 para venda de títulos públicos federais para pessoas físicas, de forma 100% online. Lançado em 2002, surgiu com o objetivo de democratizar o acesso aos títulos públicos.

Além de acessível e de apresentar muitas opções de investimento, tem uma boa rentabilidade e liquidez diária, sendo a aplicação de menor risco do mercado.

Por que investir?

01. Segurança
Ativos 100% garantidos pelo Tesouro Nacional.

02. Variedade
Opções conforme os seus objetivos.

03. Fácil acesso
Não é preciso um aporte muito grande para começar

Pra quem?

Na verdade, o Tesouro Direto é indicado para todos os investidores.

Como os demais ativos de renda fixa, até mesmo os investidores mais arrojados podem utilizar os títulos do Tesouro Nacional para sua reserva de emergência e para buscar maiores rentabilidades no mercado secundário.

O que são?

Ações representam uma pequena parte na sociedade de uma grande empresa. Ao adquirir uma, você se torna sócio daquele negócio e recebe os proventos proporcionais à sua participação.

Ao deter esses papeis, o investidor passa a receber dois tipos de pagamentos: dividendos e juros sobre capital próprio. Os valores dependem do lucro gerado pela empresa.

Por que investir?

01. Longo prazo
Rendimentos esperados maiores em prazos longos, frente à baixa rentabilidade atual dos ativos de menor risco.

02. Renda Recorrente
Possibilidade de obtenção de renda recorrente, através de dividendos e juros sobre capital próprio.

03. Diversificação
Possibilidade de construir um portfólio com variados níveis de risco e volatilidade e adaptar rapidamente a carteira em caso de mudanças no mercado.

Pra quem?

Ações são indicadas para quem tem perspectiva de retornos de médio e longo prazo e tem maturidade para entender que quedas são naturais e que é necessário ter um acompanhamento constante do portfólio, seja pelo próprio investidor ou por um assessor profissional.

Ao contrário do senso comum, ações não são apenas para investidores agressivos e arrojados – carteiras de perfil moderado também podem fazer uso delas. O mercado de capitais é muito vasto e é versátil, sendo possível elaborar composições variadas de ações.

O que são?

Os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) são fundos que captam recursos de investidores e procuram obter rentabilidade no mercado imobiliário.

Isso é feito através de incorporação de empreendimentos, compra de lajes de corporativas, residências e galpões logísticos para aluguel ou até mesmo compra e venda de direitos de crédito e dívidas do setor.

Por que investir?

01. Isento de Imposto de Renda
Recebimento de renda mensal, isenta de imposto de renda.

02. Renda mensal
Possibilidade de investir em imóveis sem precisar administrá-los.

03. Não imobilização do patrimônio
Poder investir em imóveis sem imobilizar o capital.

Pra quem?

Os FIIs são indicados para quem deseja obter renda mensal a partir de seus investimentos e para quem pretende investir em imóveis a partir de pequenos valores.

Uma de suas principais características é que eles precisam distribuir aos cotistas pelo menos 95% dos rendimentos recebidos em sua operação todos os meses, o que faz com que sejam um excelente ativo para obtenção de renda recorrente.

O que é?

Ativos de renda fixa são aqueles cujas regras de rendimento são definidas antes de sua aquisição. Na hora de investir, você já se sabe quais são o prazo e o critério de remuneração do ativo.

Os principais investimentos desta classe são CDBs, CRAs e CRIs, as LCAs e as LCIs, debêntures e títulos do Tesouro Nacional.

Por que investir?

01. Segurança
As regras de rendimento são definidas antes de sua aquisição.

02. Previsibilidade
Na hora de investir, já se sabe o prazo e o critério de remuneração do ativo.

03. Variedade de ativos
As opções permitem a diversificação de estratégias.

Pra quem?

Apesar de serem ativos conservadores, são indicados para todos os investidores. Para aqueles que priorizam a segurança do capital e preferem retornos mais estáveis, a renda fixa é uma ótima escolha. Ela garante que o investidor não será surpreendido por grandes oscilações no valor do investimento.

Mesmo aqueles mais arrojados podem utilizar a renda fixa para sua reserva de emergência e para buscar maiores rentabilidades no mercado secundário.