Investir bem começa com o básico: montar uma reserva de emergência, conhecer os produtos tradicionais como Tesouro Direto, CDBs, fundos de renda fixa e ações, e entender seu perfil de risco. Esses pilares formam uma base sólida para qualquer investidor. E, para muita gente, essa combinação já pode atender a grande parte dos seus objetivos financeiros.
Mas, à medida que essa base se consolida, é natural começar a buscar outras oportunidades. Sejam formas de diversificar ainda mais, reduzir a exposição à volatilidade do mercado tradicional ou até acessar fontes de retorno menos convencionais. É nesse ponto que entram os investimentos alternativos.
Vamos conhecer mais sobre essa classe de ativos que vem ganhando força no Brasil e pode fazer sentido em carteiras mais completas.
O que são investimentos alternativos?
Investimentos alternativos são ativos que fogem do modelo tradicional de renda fixa e renda variável. Em vez de papéis negociados na bolsa ou no mercado bancário, eles envolvem formas diferentes de aplicar o dinheiro. Muitas vezes, esses investimentos são ligados à economia real, a ativos físicos ou a projetos fora do mercado financeiro convencional.
Essa categoria inclui desde fundos que investem em empresas não listadas na bolsa (como o private equity e o venture capital), até aplicações em infraestrutura, crédito privado, commodities, arte, imóveis privados, royalties, criptoativos e até colecionáveis.
De forma geral, os investimentos alternativos costumam ter menor liquidez, e também apresentam maior complexidade para o investidor. Mas costumam ser uma boa oportunidade de diversificação real, tendo baixa correlação com os mercados tradicionais, ajudando a equilibrar a carteira em cenários de volatilidade.
Principais tipos de investimentos alternativos
Os investimentos alternativos não seguem o mesmo padrão dos ativos tradicionais. Cada categoria tem suas próprias dinâmicas de risco, retorno e prazo, e entender essas diferenças é essencial para fazer boas escolhas. A seguir, exploramos os principais tipos:
1️⃣ Private Equity (Capital Privado)
O Private Equity consiste na aquisição de participações em empresas de capital fechado (não listadas na bolsa), geralmente com o objetivo de acelerar seu crescimento, melhorar sua gestão ou preparar a empresa para uma futura venda ou IPO.
- É comum em setores consolidados como saúde, educação e consumo.
- Os fundos de Private Equity atuam como sócios estratégicos, com influência direta na gestão.
- Costumam ter um horizonte de 5 a 10 anos para maturação do investimento.
- Ideal para quem busca retornos mais altos e aceita menor liquidez e maior prazo.
2️⃣ Venture Capital (Capital de Risco)
Diferente do Private Equity, o Venture Capital foca em empresas em estágio inicial, como startups de tecnologia ou modelos de negócio inovadores com alto potencial de crescimento.
- O risco é elevado, pois muitas startups não vingam.
- Por outro lado, os casos de sucesso podem gerar retornos exponenciais.
- Os fundos de VC participam ativamente das decisões da empresa e ajudam no desenvolvimento estratégico.
- Indicado para investidores com apetite a risco elevado e visão de longo prazo.
3️⃣ Crédito Privado
Investir em crédito privado é basicamente atuar como financiador direto de empresas, sem a intermediação tradicional dos bancos. Isso pode ser feito por meio de:
- Debêntures estruturadas, FIDCs, notas comerciais ou precatórios;
- Os retornos são geralmente mais previsíveis, atrelados ao pagamento de juros e amortizações;
- Os riscos envolvem inadimplência e estruturação da operação;
- É uma forma de acessar a economia real, com retornos superiores aos da renda fixa tradicional.
4️⃣ Fundos de Infraestrutura
São fundos que investem em projetos estruturantes de longo prazo, como rodovias, energia, saneamento e telecomunicações, geralmente via FIPs (Fundos de Investimento em Participações) ou debêntures incentivadas.
- Geram fluxo de caixa recorrente, com contratos de longo prazo e previsibilidade;
- Frequentemente isentos de IR para pessoa física (no caso de debêntures incentivadas);
- Ajudam na diversificação e oferecem proteção em momentos de instabilidade econômica;
- Recomendados para quem tem foco em retorno estável e pode manter o capital investido por prazos maiores.
5️⃣ Fundos Imobiliários Alternativos (Real Estate Privado)
Diferem dos tradicionais FIIs listados em bolsa por investirem diretamente em imóveis físicos ou projetos específicos, como:
- Loteamentos residenciais,
- Galpões logísticos,
- Hotéis ou propriedades de alto padrão.
Esses fundos operam em mercados privados, com acesso a oportunidades exclusivas e maior potencial de valorização, mas também apresentam menor liquidez e prazos de retorno mais longos.
6️⃣ Royalties e Ativos Geradores de Receita
Nessa categoria, o investidor compra o direito a receber uma parte do faturamento futuro de determinado ativo, como:
- Direitos autorais de músicas,
- Propriedade intelectual de livros ou softwares,
- Produção agrícola, florestal ou mineral.
O retorno vem de um fluxo de caixa projetado ao longo do tempo. Como o ativo já existe e está em uso, o risco pode ser menor do que em investimentos de crescimento. Mas é essencial entender o contrato e a solidez da fonte pagadora.
7️⃣ Arte e Colecionáveis
Inclui obras de arte, vinhos raros, relógios, carros clássicos, moedas ou itens culturais com valor histórico.
- São ativos com forte apelo emocional e patrimonial;
- A valorização depende da raridade, autenticidade e da demanda no mercado;
- Não têm liquidez imediata e podem demorar para serem negociados;
- Exigem conhecimento ou apoio especializado, já que o valor pode ser subjetivo.
8️⃣ Commodities e Metais Preciosos
Investimentos em ouro, prata, petróleo, madeira, café e outras matérias-primas.
- Funcionam como proteção contra inflação e crises geopolíticas;
- Alguns, como o ouro, têm papel histórico como reserva de valor;
- Podem ser acessados via ETFs, fundos, contratos futuros ou compra direta;
- Volatilidade e fatores externos (como clima ou política global) influenciam fortemente os preços.
9️⃣ Criptoativos e Blockchain
Criptoativos, como Bitcoin, Ethereum e tokens digitais, são baseados em blockchain — uma tecnologia descentralizada que permite transações seguras sem intermediários.
- Alta volatilidade e risco de mercado ainda elevado;
- Possibilidade de valorização expressiva no longo prazo;
- Alguns criptoativos também geram receita passiva (ex: staking);
- Exigem atenção redobrada à segurança e à regulação do mercado.
O que saber antes de investir
Investimentos alternativos oferecem oportunidades que fogem do comum, mas também pedem mais preparo. Antes de investir, é essencial entender os principais benefícios e riscos envolvidos.
Vantagens
- Diversificação real: alternativos geralmente têm baixa correlação com bolsa e renda fixa, ajudando a reduzir perdas em cenários de crise.
- Potencial de retorno elevado: atuando fora dos mercados tradicionais, muitos desses ativos têm espaço para maior valorização.
- Exposição à economia real: fundos de infraestrutura, crédito privado e royalties, por exemplo, se conectam a ativos produtivos e fluxos de receita tangíveis.
- Proteção contra inflação e juros baixos: alguns ativos tendem a manter seu valor em cenários adversos da economia.
- Acesso mais democrático: hoje, plataformas especializadas permitem começar com aportes menores, mesmo para quem não é investidor qualificado.
Riscos
- Liquidez limitada: boa parte desses ativos exige permanência por anos. Não servem para quem pode precisar do dinheiro em breve.
- Complexidade maior: avaliar contratos, projeções e estruturas exige mais atenção — ou apoio de especialistas.
- Risco de perda total: venture capital, crédito privado e outros podem ter inadimplência ou falência dos envolvidos.
- Menor transparência: sem cotação diária, pode ser difícil acompanhar o desempenho em tempo real.
Como incluir investimentos alternativos na sua carteira
Depois de construir uma base sólida com renda fixa, ações ou fundos tradicionais, você pode começar a explorar formas de diversificar sua carteira com ativos alternativos. Uma possibilidade é incluir um percentual pequeno — como 5% a 15% — em estratégias que combinem retorno no longo prazo com baixa correlação com o mercado tradicional.
Cada investidor tem objetivos, prazos e tolerância ao risco diferentes. Por isso, não existe uma fórmula única.
Quer entender como os investimentos alternativos podem entrar na sua carteira de forma segura e estratégica? Preencha o formulário e fale com um assessor.