Quem já começou a investir sabe que diversificar é uma das chaves para proteger o patrimônio e buscar boas oportunidades de retorno. Depois de montar uma base com renda fixa, se aventurar na renda variável e explorar alguns fundos, muitos investidores começam a olhar para outras possibilidades. E é aí que o agronegócio entra no radar.
O setor agropecuário, especialmente a pecuária de corte, tem ganhado destaque como uma alternativa interessante de investimento. O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de carne do mundo. Por isso, o gado tem deixado de ser apenas uma atividade rural e se tornado uma opção estratégica de diversificação dentro de uma carteira bem construída.
Neste texto, você vai entender esse investimento pode fazer sentido para investidores que buscam novos horizontes. Vai aprender como funciona na prática, e quais são as melhores formas de investir em gado— mesmo sem ter fazenda.
Por que investir em gado?
Primeiro, vamos entender por que investir em gado pode ser uma boa ideia. A princípio, pode parecer inusitado para investidores habituados a aplicações financeiras tradicionais. Mas, para quem busca diversificação real, o agronegócio pode oferecer benefícios únicos, ligados à economia real, com risco e retorno distintos dos ativos de mercado.
Veja alguns motivos que tornam o gado uma alternativa atrativa:
- Alta demanda global por proteína animal: o Brasil é um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo, com forte presença nos mercados da Ásia e Oriente Médio.
- Proteção contra inflação: por ser um ativo real e ligado a commodities, o gado tende a preservar valor em ciclos inflacionários.
- Descorrelação com o mercado financeiro: o desempenho da pecuária não segue, necessariamente, a bolsa ou os juros, o que ajuda a equilibrar carteiras expostas a outros tipos de risco.
- Opções acessíveis e modernas: hoje é possível investir em gado mesmo sem ser produtor rural, por meio de plataformas digitais, fundos ou operações estruturadas.
- Possibilidade de renda e valorização: dependendo da modalidade, o investimento pode gerar fluxo de caixa (como no arrendamento) ou ganho de capital (com valorização do boi gordo).
Com esses pontos em mente, vamos ver como investir, na prática.
Como funciona a criação de gado?
O ciclo da pecuária de corte é composto por três fases principais: cria, recria e engorda, cada uma tem características, durações e custos diferentes. O investidor pode participar do processo em qualquer uma delas, mesmo sem ter uma fazenda ou estar diretamente envolvido na produção.
Na fase de cria, o foco está na reprodução e no nascimento dos bezerros, durando normalmente até o desmame, por volta dos 6 a 8 meses. Já a recria é o período em que os animais crescem e ganham estrutura, e geralmente dura entre 8 e 12 meses. Por fim, a engorda prepara o gado para o abate, seja em pasto ou em confinamento, buscando ganho de peso rápido e eficiente. É a fase mais rápida, levando normalmente entre 90 e 150 dias.
Para quem investe à distância, o capital pode ser direcionado para financiar uma ou mais dessas etapas. O dinheiro aplicado pode bancar custos como nutrição, manejo, medicamentos e infraestrutura, além de cobrir os riscos operacionais. O retorno, por sua vez, costuma estar atrelado ao desempenho do ciclo: peso alcançado, preço do boi no mercado e eficiência da produção.
Ou seja, o investidor atua como financiador da cadeia produtiva, e colhe os frutos do negócio de forma proporcional ao risco e à estratégia escolhida.
Como investir em gado
Existem diferentes caminhos para quem deseja participar do setor pecuário como investidor, desde formas mais diretas até opções totalmente financeiras e acessíveis via bolsa. A escolha ideal depende do seu perfil, objetivos e grau de conhecimento do setor.
Investimento direto em gado
Envolve a compra de animais e a gestão do processo produtivo, seja em propriedade própria ou em parceria com pecuaristas.
Vantagens:
- Potencial de retorno elevado.
- Controle direto sobre os resultados.
- Possibilidade de verticalizar a produção.
Desvantagens:
- Alta necessidade de capital inicial.
- Exige conhecimento técnico e gestão ativa.
- Envolve riscos sanitários, climáticos e de mercado.
Investimento via plataformas e crowdfunding agro
Permitem que investidores financiem ciclos de engorda ou confinamento por meio de fintechs especializadas.
Vantagens:
- Baixa barreira de entrada (a partir de R$ 1.000, em média).
- Rendimento fixado ou estimado por projeto.
- Sem necessidade de lidar com o gado diretamente.
Desvantagens:
- Risco de inadimplência do produtor.
- Retorno só ocorre ao fim do ciclo (8 a 14 meses).
- Importância de escolher plataformas confiáveis.
Investimento via Fiagro
O Fiagro é um fundo de investimento listado na bolsa, voltado exclusivamente ao agronegócio.
Vantagens:
- Renda passiva via dividendos mensais.
- Diversificação automática com gestão profissional.
- Boa liquidez e facilidade de compra/venda.
Desvantagens:
- Exposição indireta (não foca apenas em gado).
- Cotações variam conforme mercado.
- Requer conta em corretora e familiaridade com investimentos em bolsa.
Ações de empresas do setor
Comprar ações de empresas como JBS, MBRF ou Minerva é uma maneira indireta de participar da cadeia da carne bovina.
Vantagens:
- Alta liquidez e acessibilidade via bolsa.
- Exposição ao setor pecuário e ao mercado global de carne.
- Possibilidade de valorização e recebimento de dividendos.
Desvantagens:
- Volatilidade das ações conforme o mercado financeiro.
- Resultados afetados por questões políticas, cambiais e internacionais.
- Menor controle sobre a exposição ao gado em si.
Vale a pena incluir gado na sua carteira?
Investir em gado pode ser uma alternativa interessante para diversificar a carteira, especialmente para quem já possui aplicações em renda fixa e variável e busca novas formas de potencializar seus retornos.
Porém, esse tipo de ativo é mais indicado para investidores com perfil moderado a arrojado. É uma oportunidade para investidores que aceitam ciclos de investimento menos líquidos e que compreendem os riscos envolvidos em ativos ligados ao agronegócio. Também é uma boa pedida para quem acredita na força do setor agropecuário brasileiro e quer se expor a ele de maneira estratégica.
Quando comparado à renda fixa, o investimento em gado tende a oferecer retornos mais altos, mas com maior risco. Já em relação à renda variável tradicional, como ações, o gado pode atuar como um ativo descorrelacionado. Ou seja, por ser um ativo que não se comporta da mesma forma que a bolsa, pode ser útil em momentos de instabilidade nos mercados financeiros.
No longo prazo, alocar uma parte do patrimônio em ativos ligados ao agro pode ser uma boa alternativa. É uma forma inteligente de diversificar, equilibrar riscos e aproveitar um dos setores mais fortes e resilientes da economia brasileira.
Se você quiser saber mais sobre como incorporar a pecuária e o agronegócio em sua carteira de investimentos, baixe nosso “Guia de Investimentos Financeiros no Agro”!