IGP-M: o que é, como funciona e como afeta seu dinheiro
O IGP-M é um dos índices de inflação mais conhecidos do Brasil, especialmente por sua relação com reajustes de aluguel.
Mas ele também pode aparecer em contratos, tarifas, serviços e até em alguns investimentos.
Neste artigo, você vai entender o que é o IGP-M, como ele é calculado, qual a diferença para o IPCA e como esse índice pode afetar seu dinheiro, seus contratos e sua estratégia de investimentos. Acompanhe!
O que é IGP-M?
O IGP-M, sigla para Índice Geral de Preços – Mercado, é um indicador de inflação calculado pela Fundação Getúlio Vargas, a FGV.
Ele acompanha a variação de preços em diferentes etapas da economia, desde matérias-primas e produtos no atacado até bens e serviços consumidos pelas famílias e custos da construção civil.
O IGP-M funciona como uma espécie de termômetro da inflação, mas com uma característica importante: ele não mede apenas os preços pagos pelo consumidor final.
Como sua composição dá peso relevante aos preços no atacado, como explicaremos mais para frente, o índice costuma ser mais sensível a variações do dólar, commodities, combustíveis e custos de produção.
Apesar de ser um indicador amplo de preços, o IGP-M ficou muito conhecido no Brasil como o “índice do aluguel”, porque durante muitos anos foi usado como referência para reajustar contratos de locação. Mas ele também pode aparecer em outros contratos, tarifas, prestações de serviço e até em alguns investimentos.
⚠️ É importante destacar também que o IGP-M não é a inflação oficial do Brasil. Esse papel é do IPCA, calculado pelo IBGE e usado como referência pelo Banco Central na meta de inflação. Mesmo assim, o IGP-M continua sendo índice relevante, especialmente para quem tem contratos corrigidos por ele ou quer entender melhor como diferentes medidas de inflação podem afetar o orçamento e os investimentos.
Para que serve o IGP-M?
O IGP-M serve principalmente como uma referência para medir a variação de preços, considerando atacado, consumo das famílias e construção civil.
Além disso, ele serve como indexador. Ou seja, ele pode ser usado para corrigir valores ao longo do tempo, preservando o poder de compra em contratos, acordos e alguns produtos financeiros.
Porém, o uso mais conhecido do IGP-M está nos contratos de aluguel. Durante muitos anos, ele foi amplamente utilizado como referência para reajustes anuais, justamente por isso ficou conhecido como “inflação do aluguel”. Quando o índice acumulado subia, o valor do aluguel podia ser reajustado para acompanhar essa variação.
Mas o IGP-M não aparece apenas em aluguéis. Ele também pode ser usado em contratos de prestação de serviços, mensalidades, tarifas, contratos empresariais e outros acordos que preveem correção pela inflação.
Como o IGP-M é calculado?
O IGP-M é calculado pela FGV como uma média ponderada de três outros índices de preços: IPA-M, IPC-M e INCC-M. Cada um deles mede uma parte diferente da economia, o que torna o IGP-M um indicador mais amplo do que índices focados apenas no consumidor final.
O maior peso fica com o IPA-M, Índice de Preços ao Produtor Amplo, que representa 60% do IGP-M. Ele acompanha preços no atacado e na produção, como matérias-primas, produtos agropecuários e industriais.
O segundo componente é o IPC-M, Índice de Preços ao Consumidor, que representa 30% do cálculo. Ele mede a variação de preços de bens e serviços consumidos pelas famílias, funcionando de forma mais parecida com outros índices de inflação ao consumidor.
Por fim, há o INCC-M, Índice Nacional de Custo da Construção, com peso de 10%. Ele acompanha a variação de custos ligados à construção civil, como materiais, equipamentos, serviços e mão de obra.
Além disso, o IGP-M tem um período específico de coleta: os preços são pesquisados entre o dia 21 do mês anterior e o dia 20 do mês de referência.
O que o IGP-M afeta?
O IGP-M pode afetar diferentes áreas da vida financeira, principalmente quando ele é usado como índice de correção em contratos. Alguns exemplos do uso deste índice são:
Reajuste de contratos
Uma das principais funções do IGP-M é servir como indexador para reajuste de contratos.
Isso acontece porque muitos contratos de longo prazo precisam prever uma forma de correção dos valores ao longo do tempo. Sem isso, o preço combinado poderia ficar defasado em relação à inflação.
Aluguéis
O uso mais conhecido do IGP-M está nos contratos de aluguel.
Na prática, se um contrato prevê reajuste anual pelo IGP-M, o valor do aluguel pode ser corrigido pelo índice acumulado no período combinado. Por exemplo: se o aluguel é de R$ 3.000 e o IGP-M acumulado em 12 meses foi de 5%, o novo valor poderia passar para R$ 3.150.
Vale lembrar, porém, que o reajuste nem sempre é automático ou obrigatório em todos os casos. Ele depende do que está escrito no contrato e também pode ser negociado entre proprietário e inquilino.
Tarifas e serviços
Além dos aluguéis, o IGP-M também pode ser usado na correção de tarifas, mensalidades e contratos de prestação de serviços.
Empresas podem adotar o índice para reajustar contratos recorrentes, principalmente quando precisam preservar margens diante do aumento de custos. Nesses casos, o impacto do IGP-M pode aparecer de forma indireta no bolso do consumidor ou no orçamento das empresas.
Referência econômica para inflação
O IGP-M também serve como uma referência econômica para acompanhar a inflação, embora não seja o índice oficial do Brasil.
Como ele considera preços no atacado, ao consumidor e na construção civil, pode ajudar a mostrar pressões de custos em diferentes etapas da economia. Por isso, ele é acompanhado por empresas, investidores, analistas e pessoas que têm contratos corrigidos por esse indicador.
Existem investimentos atrelados ao IGPM?
Sim, existem investimentos e ativos que podem ter exposição ao IGP-M, embora hoje esse indexador seja menos comum do que outros indicadores, como o IPCA, o CDI ou a Selic.
Um exemplo pode aparecer em alguns títulos de crédito privado, como CRIs, CRAs ou debêntures, que eventualmente podem ser estruturados com correção pelo IGP-M mais uma taxa fixa. Nesse caso, o investidor fica exposto tanto ao comportamento do índice quanto ao risco de crédito do emissor.
Outra forma indireta de exposição pode estar em fundos imobiliários, especialmente aqueles que possuem contratos de aluguel corrigidos pelo IGP-M. Quando os aluguéis são reajustados por esse índice, isso pode impactar a receita dos imóveis e, consequentemente, os rendimentos distribuídos pelo fundo.
Apesar disso, vale lembrar que investir em produtos atrelados ao IGP-M não significa ter proteção perfeita contra a inflação sentida no dia a dia. O índice tem uma composição própria e pode se comportar de forma bem diferente do IPCA, que é a inflação oficial do Brasil.
Qual é a diferença entre IGPM e IPCA?
A principal diferença entre IGP-M e IPCA está no que cada índice mede e na forma como eles são calculados.
O IPCA é o índice oficial de inflação do Brasil. Ele mede a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços consumidos pelas famílias, como alimentação, transporte, saúde, habitação, educação e outros itens do dia a dia. Por isso, é o indicador usado como referência pelo Banco Central para acompanhar a meta de inflação.
Já o IGP-M tem uma composição mais ampla e diferente. Ele considera preços no atacado, preços ao consumidor e custos da construção civil. Como o peso dos preços no atacado é grande, o IGP-M costuma ser mais sensível a variações do dólar, commodities, combustíveis e matérias-primas.
Na prática, isso faz com que os dois índices possam se comportar de formas bem diferentes. Em alguns períodos, o IGP-M pode subir muito mais do que o IPCA. Em outros, pode desacelerar com mais força ou até ficar negativo.
Outra diferença importante está no uso de cada indicador. O IPCA é mais usado como referência para medir a inflação oficial e para corrigir investimentos ligados à inflação, como títulos públicos e privados atrelados ao IPCA. Já o IGP-M ficou muito conhecido pelo reajuste de contratos, especialmente contratos de aluguel.
Como investir em cenários de inflação?
Investir em cenários de inflação exige atenção porque a alta dos preços afeta diretamente o poder de compra do dinheiro.
Além disso, mesmo quando o patrimônio cresce em termos nominais, ele pode perder valor na prática se a rentabilidade não acompanhar ou superar a inflação.
Por isso, o objetivo não deve ser apenas “ganhar mais”, mas buscar uma carteira capaz de preservar poder de compra ao longo do tempo, respeitando seu perfil de investidor, seus objetivos e seus prazos.
É justamente nesse processo que a assessoria da Faz Capital pode ajudar. Nossos assessores acompanham o cenário econômico, entendem seus objetivos e ajudam a construir uma carteira mais adequada para diferentes ambientes de inflação, juros e mercado!
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Esperamos que você tenha gostado deste artigo, e nos vemos no próximo!